O Príncipe Feliz de Oscar Wilde

Do lugar mais alto da cidade, em cima de uma coluna, estava a estátua do Príncipe Feliz. Esta era coberta de ouro, seus olhos eram de safira e no punho de sua espada tinha um grande rubi. Além de extremamente belo, era majestoso e encantava a quem o contemplava.

Quando vivo, ele era um príncipe cheio de alegria, se divertia constantemente dentro dos altos muros do seu Palácio da Boa Vida e por isso, não conhecia a tristeza. Mas, agora, em cima da coluna, podia ver toda a miséria que assolava a sua cidade.

Ele se entristeceu e chorava. Em um certo dia, à noite, uma andorinha viajante pousou em seus pés para descansar e logo, percebeu que ele estava chorando e o perguntou: por que chora? O Príncipe Feliz a explicou e pediu para que ela levasse em seu bico o seu tesouro para aqueles necessitados. A andorinha, nomeada mensageira do Príncipe, fez o que lhe foi pedido: levou o rubi de sua espada, os seus olhos de safira e o ouro que o encobria. O Príncipe Feliz se doou inteiramente, mas, ficou cego e feio aos olhos de quem apenas enxerga a pompa. 

A Andorinha não migrou e por isso, morreu de frio e o Príncipe foi retirado de sua coluna e derretido no fogo já que não satisfazia ao propósito dos políticos: o belo. 

Deus, então, chamou o seu anjo e pediu para que ele lhe trouxesse o tesouro daquela cidade. O anjo sábio trouxe o coração de bronze do Príncipe Feliz que não se derreteu no fogo e o corpo da andorinha morta. Deus quando viu, disse: esses são, de fato, o tesouro daquela cidade. A Andorinha cantará eternamente em meu jardim e o Príncipe Feliz morará na minha Cidade de Ouro.


Oscar Wilde (16/Out/1854 – 30/11/1900) foi um grande escritor, dramaturgo e poeta de origem irlandesa. E o conto “O Príncipe Feliz” foi escrito para os seus filhos, com uma linguagem simples e acessível, no entanto, com lições para a vida.